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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Referências Iconográficas

Ao longo do desenvolvimento da minha coleção, para me fazer entender, era necessário que eu indicasse alguns caminhos e referência imagéticas de um tema que é tão abstrato.

Então aprofundei minhas pesquisas em artístas e designers que tivessem a mesma linha de pensamento e abstração que eu queria demonstrar no meu trabalho.

Bruno Lopes, artista português autodidata, contribui na minha pesquisa a medida que demonstrou a vida que brota da morbidez e da maneira como a moda funciona pra mim como feto/refúgio.






Gray Scott, fotógrafo, materializa em suas fotografias o isolamento pertinente a ausência do objeto de amor. Nas imagens que selecionei, mesmo que exista mais de um modelo na cena eles não interagem entre si. Além da sensação de sofrimento e entrega.








Os designers Victor e Rolf foram citados na minha persquisa para exemplificar o acúmulo de experiências e consequentemente das formas que eu mais tarde traria para as minhas criações.







segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sobre a capacidade de absorção de significado...

A roupa pode nos remeter a situações anteriormente vividas, reavivar sensações e medos. Existem pessoas que não voltam a usar determinados trajes que usaram em situações emocionalmente fortes como enterros, por exemplo.
Essa capacidade que temos de recriar memórias a partir da carga emocional que essas roupas carregam, seja por situações vividas trajando-as, ou cheiro, puído, e até deformações do tecido em função do corpo que ali habita ou habitava é que faz da roupa algo que quer significar e dizer e não apenas vestir.
Foram usadas para o desenvolvimento da minha coleção de conclusão de curso a dialética entre moda, amor e psicologia, tendo como característica os símbolos desenvolvidos a partir das minhas vivências amorosas impressos no suporte roupa.
Neste projeto pensei moda como a extensão dos meus desejos e desafetos. Como o meio de exteriorizar meus sentimentos de amor a algo ou alguém usando a capacidade de absorção de significado que as roupas podem ter. Tal mecanismo é melhor descrito por Sigmund Freud na formulação do conceito de sublimação.

Segundo Freud (1905, p. 167) entende-se por sublimação o processo no qual:

(...)as expensas das próprias moções sexuais infantis, cujo afluxo não cessa nem mesmo durante esse período de latência, mas cuja energia - na totalidade ou em sua maior parte - é desviada do uso sexual e voltada para outros fins. [ou seja] o desvio das forças pulsionais sexuais das metas sexuais e por sua orientação para novas metas.


O conceito de sublimação nada mais é do que transformar essas pulsões - vale ressaltar que essa pulsões ditas sexuais não estão necessariamente associadas aos orgãos genitais ou ao prazer sexual - em manifestações artísticas ou intelectuais que visam reconhecimento social, no meu caso, o desfile e a materialização da minha coleção.

Transformei meus desafetos em roupas...

domingo, 19 de julho de 2009

Minha permanente busca de afeto


O tema amor sempre foi recorrente nas minhas criações. Sempre me trouxe a inquietude e a sede de descoberta. Todos os meus trabalhos em moda tinham direta ou indiretamente esse sentimento, a realização ou a não correspondência dele como fatores motivadores. E foi lendo ao livro escrito por Guillaume Erner publicado pelo Senac - "Vítimas da moda? Como a criamos, por que a seguimos." que encontrei a citação que deu origem ao meu trabalho final de graduação.



"Assim, a costura foi, tanto para essas mocinhas pobres e órfãs quanto para esse rapazes diferentes dos outros, uma maneira de se realizar por meio de histórias. Todos, por uma ou outra razão, tinham necessidade desse sonho diurno que era a criação de roupas, para conseguir superar as infelicidades da existência. Para muitos deles a moda foi uma permanente busca de afeto." (Erner, 2005. p.44)

Os relatos presente no livro contam como grandes criadores transportavam seus desafetos para as roupas. Mais especificamente este livro cita as relações amorosas não correspondidas do estilista consagrado Christian Dior, e como elas foram transportadas para as suas criações como forma de vazão às suas angústias. Então, pude perceber que assim como Dior, minhas criações traziam reflexos das minhas desilusões pertinentes as minhas vivências amorosas. Encontrei na moda uma maneira de me realizar através da criação, imprimindo no suporte roupa minha dor e compartilhando com o mundo esse amor todo que me sucofa e invade.