A roupa pode nos remeter a situações anteriormente vividas, reavivar sensações e medos. Existem pessoas que não voltam a usar determinados trajes que usaram em situações emocionalmente fortes como enterros, por exemplo.
Essa capacidade que temos de recriar memórias a partir da carga emocional que essas roupas carregam, seja por situações vividas trajando-as, ou cheiro, puído, e até deformações do tecido em função do corpo que ali habita ou habitava é que faz da roupa algo que quer significar e dizer e não apenas vestir.
Foram usadas para o desenvolvimento da minha coleção de conclusão de curso a dialética entre moda, amor e psicologia, tendo como característica os símbolos desenvolvidos a partir das minhas vivências amorosas impressos no suporte roupa.
Neste projeto pensei moda como a extensão dos meus desejos e desafetos. Como o meio de exteriorizar meus sentimentos de amor a algo ou alguém usando a capacidade de absorção de significado que as roupas podem ter. Tal mecanismo é melhor descrito por Sigmund Freud na formulação do conceito de sublimação.
Segundo Freud (1905, p. 167) entende-se por sublimação o processo no qual:

(...)as expensas das próprias moções sexuais infantis, cujo afluxo não cessa nem mesmo durante esse período de latência, mas cuja energia - na totalidade ou em sua maior parte - é desviada do uso sexual e voltada para outros fins. [ou seja] o desvio das forças pulsionais sexuais das metas sexuais e por sua orientação para novas metas.
O conceito de sublimação nada mais é do que transformar essas pulsões - vale ressaltar que essa pulsões ditas sexuais não estão necessariamente associadas aos orgãos genitais ou ao prazer sexual - em manifestações artísticas ou intelectuais que visam reconhecimento social, no meu caso, o desfile e a materialização da minha coleção.
Transformei meus desafetos em roupas...